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Medicina e Sexualidade: Primun Non Nocere PDF Imprimir E-mail

O que me motivou a aceitar participar desse Seminário e partilhar a mesa com pesquisadores que tanto admiro foi o fato de apesar de médica habituada a tratar de gente - tanto em ambulatório de hospital universitário quanto na clínica privada - e profissional interessada nos estudos da sexualidade humana -, vivo de enfrentar desafios.

Há trinta anos exercendo a profissão que escolhi desde a infância, venho questionando o conceito de que o sujeito é apenas um conjunto de células agrupadas segundo suas funções, para constituírem órgãos que devem funcionar com a precisão de máquinas bem ajustadas, e a isso dar o nome de saúde. Para os adeptos dessa racionalidade, o “ajuste” da máquina-humana deverá ser feito, preferencialmente, com o uso de medicamentos.
 
 
A medicina torna-se assim uma disciplina cada vez mais reduzida a preceitos biofarmacológicos, desprezando a riqueza que a visão biopsicossocial do ser humano confere. Duas diferentes formas de exercer a arte de curar, por reconhecer a pessoa e o processo de saúde e doença de maneiras diferentes e antagônicas.
 
 
A lógica biomédica imprime uma crescente e quase inevitável relação promíscua com a indústria farmacêutica na busca pelo medicamento capaz de curar tudo que não estiver ‘ajustado’. E essa visão organicista, que influencia e/ou é influenciada pelas leis de mercado e presente em todas as especialidades médicas, é também marcante em tudo que se liga à sexualidade humana.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Construção para o Amor PDF Imprimir E-mail

Resumo:
Partindo do mito de Eros e Psiquê, este artigo aborda a construção psico-afetiva que resulta na forma expressiva do amor na vida segundo a teoria caracterológica de Wilhelm Reich (1897/1957). A referida construção é vista a partir de uma unidade funcional, onde o corpo participa e demarca a forma de reação desde um tempo primitivo do desenvolvimento até a vida adulta. Algumas formas de caráter são descritas em seus aspectos principais que, em relação a sua construção neuropsicológica, se apresentam como patológica ou saudável.

Palavras-chave: desenvolvimento – construção – amor – unidade funcional
 
Abstrat:
From the Eros and Psiquê myth, this article talks about the psycho-affectionate construction that results in the expressive form of love in your life according to the characterollogical theory by Wilhelm Reich (1897/1957). The referred construction is seen as a functional unity, which the body takes part and marks the reaction form since the primitive development time until adult life. Some character forms are described in its principal aspects that, related to its neuropsychological construction, are presents as healthy or pathologic.
 
Keywords: development – construction – love – functional unity
 
Todos falam do amor, porém, alguns não o vivem realmente. Parece estranho tal condição, mas na realidade para exercer este sentimento há a necessidade de vários aspectos da maturidade bio-psico-social.
 
Para se entender o amor voltaremos, de forma resumida, às questões da mitologia sobre Eros e Psiquê. Segundo Brandão (1994), o mito nos dá a tentativa de organizar a vida, de explicar o que não era e passou a ser. Eros é uma palavra que deriva do grego Erw e se refere ao desejo irreprimível dos sentidos. Assim, também Cupido (romano), do verbo latino cupere, se refere a desejar ardentemente ou ter desejos instintivos ou sensuais. Psiquê, palavra do grego Yuch, significa sopro ou princípio vital. Em uma analogia podemos acoplar dois pontos extremamente importantes como o concreto e o sutil, o somático e o psíquico ou o corpo e o afeto. Estes são condições construídas no ser.