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| Medicina e Sexualidade: Primun Non Nocere |
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| Por Regina Moura | |
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O que me motivou a aceitar participar desse Seminário e partilhar a mesa com pesquisadores que tanto admiro foi o fato de apesar de médica habituada a tratar de gente - tanto em ambulatório de hospital universitário quanto na clínica privada - e profissional interessada nos estudos da sexualidade humana -, vivo de enfrentar desafios. Há trinta anos exercendo a profissão que escolhi desde a infância, venho questionando o conceito de que o sujeito é apenas um conjunto de células agrupadas segundo suas funções, para constituírem órgãos que devem funcionar com a precisão de máquinas bem ajustadas, e a isso dar o nome de saúde. Para os adeptos dessa racionalidade, o “ajuste” da máquina-humana deverá ser feito, preferencialmente, com o uso de medicamentos.
A medicina torna-se assim uma disciplina cada vez mais reduzida a preceitos biofarmacológicos, desprezando a riqueza que a visão biopsicossocial do ser humano confere. Duas diferentes formas de exercer a arte de curar, por reconhecer a pessoa e o processo de saúde e doença de maneiras diferentes e antagônicas.
A lógica biomédica imprime uma crescente e quase inevitável relação promíscua com a indústria farmacêutica na busca pelo medicamento capaz de curar tudo que não estiver ‘ajustado’. E essa visão organicista, que influencia e/ou é influenciada pelas leis de mercado e presente em todas as especialidades médicas, é também marcante em tudo que se liga à sexualidade humana.
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