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| SEXOS: DOIS OU DEZ? |
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Ou BREVE CONTRIBUIÇÃO A HERMENEÛTICA DO SEXO Franklin Cunha Examinaremos em primeiro lugar a maneira que os médicos e familiares se comportam diante de um recém-nascido que apresenta genitália ambígua. Nesta situação, quem tem olhos para ver, percebe as idéias que nossa cultura tem sobre a construção dos gêneros. Quando nasce uma criança com essa anomalia, tanto os pais como os médicos, são tomados por intensa angústia e estes últimos, não raro, sugerem drásticas cirurgias a fim de determinar rapidamente um gênero definido para o bebê. E quase sempre ele é determinado de acordo com as expectativas dos pais. Então, partes do corpo são retiradas, outras acrescidas, hormônios são ministrados e, finalmente, um novo corpo é criado, nem homem nem mulher, mas aquilo que nossa cultura define como macho ou fêmea. As crianças não podem opinar, é óbvio, mas quando, mais tarde, conseguem faze-lo, nem sempre escolhem o gênero que lhes foi imposto. Existe uma idéia entre alguns sexólogos de que os hábitos sexuais são definidos por determinados genes. E, curiosamente, os homossexuais homens aceitam tal explicação mais facilmente do que os homossexuais femininos. Talvez porque a origem da homossexualidade parece ser diferente para os homens e mulheres.É possível também, que para os homens esta situação seja psicologicamente mais difícil de ser suportada, porque eles são vistos como tendo assumido um gênero considerado inferior e mais fraco.Abdicar da masculinidade é, socialmente, mais desprezível do que abdicar da feminilidade. As mulheres homossexuais, embora encaradas com certa curiosidade e alguma reprovação, abraçaram o gênero que é mais valorizado e prestigiado, social e economicamente. A maneira de se interpretar a conduta homossexual em nossa cultura, é pensada como uma questão ética e moral, quando, em verdade, importantes fatores sócio-econômicos também estão envolvidos tanto para os homens como para as mulheres. A biologia nesses casos é pouco compreendida. Estudos controlados, objetivando explicar a homossexualidade, informam que cerca de 50% dos fatores seriam determinados por certos genes embora haja fortes controvérsias sobre o tema.De toda a maneira, no mínimo 50% da gênese da homossexualidade não é geneticamente explicada. E enquanto, atualmente, todo o mundo está muito deslumbrado com a força de nossa herança genética, a compreensão contributiva dos fatores genéticos no comportamento sexual é escassa e aleatória. A natureza nem sempre se define por uma situação rigidamente ideal. Nunca estamos plenamente satisfeitos com nosso corpo e sempre temos – clara ou veladamente – muitas dúvidas a respeito de nossas opções sexuais. Compreende-se, pois, tanto a curiosidade como, não raro, a agressividade de que somos possuídos diante de um ser humano ambiguamente definido em seu gênero. Laurence Durrel em seu livro Quarteto de Alexandria nos revela que existem dez variações de sexos. Portanto, é válida a seguinte questão: se já temos sérias dificuldades em escolher entre os dois sexos mais prevalentes, imagine-se em que hamletiana dúvida ficamos para escolher entre dez? |
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