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Educação Sexual PDF Imprimir E-mail

Educação Sexual «não se pode resumir a conversas sobre sexo»

 
O Congresso sobre «Sexualidade e educação para a felicidade» que hoje encerra em Braga concluiu que a disciplina de educação sexual nas escolas «não se pode resumir a meras conversas sobre sexo e métodos contraceptivos».
Os participantes no II Congresso Internacional de Pedagogia, promovido pela Faculdade de Filosofia (FacFil) da Universidade Católica Portuguesa, defendem que «a educação para a sexualidade deve ser uma temática transversal a diversas disciplinas».
 
O psicólogo clínico Eduardo Sá, professor de psicologia clínica na Universidade de Coimbra e no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa que abordou a temática de «Uma ética para o futuro», defendeu que «uma relação ética só se faz quando se coloca tudo o que sentimos à discussão e quando, por ensaio e erro, conseguimos dizer "eu" e "tu" ao mesmo tempo».
 
«Acho fundamental que se discuta a sexualidade nas escolas. No entanto, vivo com preocupação quando às vezes se tem a ideia de que falar de sexualidade é falar do aparelho reprodutor e dos meios contraceptivos», sustentou.
Considerou importante falar de sexo e dos contraceptivos, mas não com uma visão restritiva e básica: «os adolescentes deviam ter direito à insubordinação para que, finalmente nas escolas - um lugar que acho indispensável para este tipo de conversa -, se possa falar do que é fundamental às relações humanas», afirmou.
 
Em sua opinião, «a sexualidade tem esta grande particularidade nas relações humanas: é o que nos permite despirmo-nos por dentro; e, se continuarmos a viver as relações amorosas com o coração abotoado até ao último botão, seguramente não podemos viver a sexualidade de uma maneira saudável».
 
Para Eduardo Sá falar de sexualidade não é banalizar o sexo: «Quanto mais as pessoas banalizarem o sexo, inequivocamente mais atentam contra as relações amorosas e contra a própria sexualidade», defendeu.
«Criou-se uma banalização inquietante do sexo. Por vezes acho graça a algumas telenovelas em que se fala de sexo como se fosse uma coisa perfeitamente irrisória. Isso é uma atitude profundamente insensata quando se quer tomar em consideração as relações amorosas e a sexualidade como aquilo que nos faz crescer e virar do avesso», disse.
O especialista firmou-se «receoso» de que os professores estejam a ser deixados sozinhos»: "Há uma comissão que fez um trabalho muito importante em Portugal mas é também importante que os professores tenham uma formação adequada", acrescentou.
 
Para lidar com a temática da sexualidade, Eduardo Sá considera que "nem todos os professores têm o perfil para o fazer", salientando que, "aqueles professores que visivelmente são referência para os adolescentes são, porventura, aqueles que podem falar com eles de tudo - sexualidade incluída - e serem atendidos".
"Esses professores devem ser acarinhados e muito bem formados", recomendou em conclusão.
Diário Digital / Lusa
 
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