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RBSH - Volume 5 - No. 1 - 1994 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

Segmento do Artigo: Por que é tão Difícil Implantar Educacão Sexual nas Escolas?
Zenilce Vieira Bruno (1)
Zenilda Vieira Bruno (2)

COMENTÁRIOS
A Educação Sexual é defendida desde o começo do século pelos médicos que em 1915 a usavam para combater a masturbação e doenças venéreas, tendo sido a igreja um instrumento de freio, com o objetivo de manter a moral e a dependência que a repressão do pecado e ignorância provocam. No entanto, a mesma conseguiu ser dada de forma curricular e obrigatória aos jovens nos colégios, desde 1956 na Suécia e desde 1973 na França.

Em 1960, ventos liberais, “coincidentes” com o advento da pílula anticoncepcional, que deram maior liberdade a mulher de iniciar sua vida sexual sem o risco da gravidez, trouxeram a Educação Sexual a algumas escolas particulares. Porém com o golpe de 1964 foram exonerados diretores, professores e alunos que continuassem com experiências neste sentido. O governo aliou-se com a igreja, ambos queriam a repressão, não apenas em relação moral, mas social, política e econômica, assim como o planejamento familiar que estimulasse os nascimentos: mais gente, mais pobreza, mais dependência.

Na década de 70 começava a “abertura” parcial e assistemática. No IV Congresso Brasileiro de Orientação Educacional em São Paulo (1976), evidenciou-se a existéncia de estudos em diversos estados, especialmente São Paulo. Oficialmente não havia Educação Sexual no currículo, mas era dado de uma forma discreta, em Programa de Saúde.

O movimento feminista reivindicava a introdução da matéria nas escolas, por achar que o debate sobre sexualidade ajudaria no movimento de Emancipação Feminino. A Educação Sexual era um instrumento eficaz para a redução do crescimento demográfico.

Em 1978 um canal de televisão de grande audiência, levou ao ar um programa sobre Educação Sexual, o que gerou polêmica e o assunto ganhou fortes adeptos. Foi realizado o 1° Congresso sobre Educação Sexual em São Paulo. A sexóloga Maria Helena Matarazzo fez algo inédito: um programa de rádio e serviço telefônico para responder perguntas sobre sexo. Em 1980 a Educação Sexual entra com toda a força. A sexóloga Marta Suplicy fala de sexualidade na televisão em um programa diário de grande audiéncia. Sexo se tornou popular e objeto de estudos de vários profissionais, sobre diversos aspectos e objetivos.

Em 1983 aconteceu o 1° Encontro Nacional de Sexologia em São Paulo. Surgiram grupos multidisciplinares que promoveram reuniões e debates, criando agentes multiplicadores.

(1) Orientadora Educacional da Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Coordenadora do Setor de Treinamento da Comissão Interinstitucional de Valorização do Adolescente,e da Família (CIVAF).
(2) Médica Gineeologista. Professora da Gineco-Obstetrícia do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Chefe do Serviço de Tocoginecologia Infanto-Puberal e Adolescência da Maternidade Escola Assis Chateaubriand da Universidade Federal do Ceará.
Recebido em 10.01.94 Aprovado em 18.01.94

Veja o que mais você pode encontrar nesta edição

Sumário

Editorial
  Opinião
1 Sexualidade e Reprodução na Adolescência
  Nelson Vitiello
2 Liberdade: os limites do prazer
  Roberto Curi Hallal
3 Tipologia dos Relacionamentos Amorosos
  Dr. Sander Fridman; Dra. Erika Weber; Dra. Rosa Helena Azeredo
4 O Trabalho do Orientador Vocacional na Educação Sexual
  Maria Paquelet Moreira Barbosa
5 Porque é tão Difícil Implantar Educação Sexual nas Escolas
  Zenilce Vieira Bruno; Zenilda Vieira Bruno
   
  Trabalho de Pesquisa
1 O Êxtase do Tempo Vivido: um estudo da sexualidade feminina na “terceira idade”
  Maria Alves de Toledo Bruns; Maria Goreti Almeida
2 Cultura y Opíniones Sexuales entre Estudiantes Universitarios y Profesionales de la Ciudad de Lima-Peru: estudio comparativo entre 1986 y 1993
  Artidoro Jacques Caceres Le Breton
   
  Resumos Comentados
1 Sodium Bicarbonate Alleviates Penile Pain Induced by Intracavernous Injections for Erectile Dysfunction
  Dr. Luiz Otavio Torres
2 Treatment of Idiopathic Dysfunction in Men with the Opiate Antagonist Naltrexone - A Double - Blind Study
  Leonardo Goodson
 
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