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RBSH - Volume 5 - No. 2 - 1994 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

Segmento do Artigo: Mestrado em Sexologia: um passo a mais no ideal da interdisciplinaridade (em memória de Jean-Claude Nahoum)
Araguari Chalar Silva (1)

COMENTÁRIOS
Passados seis anos de atividade da Pós-graduação lato sensu em Sexualidade Humana, a experiência adquirida e a graduação cada vez maior da equipe de professores, fizeram possível um olhar mais à distância: O sonho de um Mestrado em Sexologia poderia tomar forma.

Desde os tempos de criação da Comissão Nacional de Sexologia, em 1983 como parte da Febrasgo, a qualificação interdisciplinar era um desafio que se colocava. Com essa inspiração nasceu o CESEX, em Brasília, talvez o primeiro curso a tentar um mesmo modelo de formação em sexologia para médicos, psicólogos e educadores. É difícil estimar quantos profissionais passaram por esse modelo de curso ou mesmo pelos que se sucederam a partir de então, como os do Nudes, no Rio de Janeiro, do Instituto H. Ellis, em São Paulo, o Instituto Pomeroy, em Belo Horizonte, para citar apenas alguns exemplos. A estes se acrescentam mais tarde as atividades educacionais sustentadas nos muitos Congressos feitos ou inspirados pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

O ideal de interdisciplinaridade também bateu às portas da atividade clínica, visando essencialmente médicos e psicólogos, e motivando projetos ousados de atendimento à população. Ambulatórios desse gênero sur- giram em vários serviços de ginecologia, como atividades voluntárias e, no mais das vezes, sem continuidade.

Todos esses modelos, contudo, mantinham uma característica comum: estavem distanciados da graduação acadêmica formal, ou, quando muito, beiravam os chamados “cursos de extensão”, com peso reduzido no currículo profissional dos alunos.

Considerando o espaço acadêmico como um todo, em 1979 o curso de Psicologia da UGF instituiu uma Cadeira de Psicossexologia, outros, na área da Ginecologia (como na UFPR) ou da Psiquiatria (como na UFF e na UFBA) incluiram temas de sexologia, mas como parte de Cadeiras de Reprodução Humana ou Psicopatologia. A UFRJ foi mais além e recentemente incluiu uma disciplina de Sexualidade Humana como eletiva no Curso de Medicina.

A interdisciplinaridade, dessa forma, permanecia apenas nos cursos informais, até porque ultrapassar as fronteiras impostas as faculdades separadas é, certamente, um desafio maior do que os cursos de Graduação podem enfrentar.

O mesmo propósito de uma sexologia interdisciplinar, mas que pretendia se infiltrar na realidade acadêmica motivou um outro dos fundadores da Febrasgo e da Comissão Nacional de Sexologia. No Rio de Janeiro, Jean-Claude Nahoum, já Doutor em Medicina o Livre-Docente de Ginecologia, voltaria a ser aluno e depois de graduado em Filosofia quase concluiu o Mestrado em História. Mas o tempo dele esgotou-se antes.

Mesmo sem ele, ficou definida uma linha de ação: caminhar para o espaço acadêmico e torná-lo se possível. Converter o ideal da intendisciplinaridade num fato real, mas sempre com uma declaração explícita de que não se sabe tudo.

Da consciência geral (mas devidamente qualificada) da insuficiência desse “saber disciplinarizado” poderia surgir uma interdisciplinaridade verdadeira.

Essa linha de trabalho encontrou eco no Projeto do primeiro Curso de Pós-graduação Lato Sensu cm Sexualidade Humana, na UGF, ao qual Jean Claude prontamente se associou.

Unem-se agora as perspectivas abertas ao longo dessa história, e mais atrevidos do que nunca, iniciamos o salto maior. Em Dezembro de 1993, o Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Gama Filho aprovou e encaminhou à CAPES (Ministério da Educação) o Projeto de Implantação do Mestrado em Sexologia, um Mestrado que é no mesmo tempo em Medicina, Psicologia e Educação, mas também não é Mestrado em nada disso. Na verdade, espelhando-se na história acadêmica de outros países, o novo Mestrado situa na estrutura acadêmica do Brasil uma área nova: a Sexologia. Sem vínculos diretos com as graduações de Medicina, Psicologia ou Educação, o espaço entre essas áreas faz a definição dos limites. O Projeto de Mestrado é interdisciplinar por princípio, mas acadêmico por definição.

(1) Doutor em Educação e PRDc em Sexualidade Humana pelo lnstitute for Advanced Study of Human Sexuality, San Francisco.
Coordenador do Curso de Mestrado em Sexologia da Universidade Gama Filho.
Recebido em 02.02.94 Aprovado em 09.03.94

Veja o que mais você pode encontrar nesta edição

Sumário

Editorial
  Opinião
1 Mestrado em Sexologia: um passo a mais no ideal da interdisciplinaridade
  Araguari Chalar Silva
2 Sexualidade na Idade Avançada
  Mabel Cavalcanti
3 Sexualidade Feminina- A Linguagem do Corpo
  Amparo Caridade
4 Um Olhar Sobre o Erotismo
  Ana Maria Macedo Valença
5 Resistências ao Tratamento da Disfunção Erétil de Etiologia Predominantemente Psicológica
Resistance in the Treatment of Erectile Disfuncion of Mainly Psychological Etiology
  Walkíria Fernandes Moreira Ambrosano
6 Uma Aventura Interventiva no Bar do Lulu
  Raquel Belza Ferreira; Mônica Bara Maia
7 A Prostituição de Ontem e Hoje
  Maria Lúcia Biem Neuber
8 Amor, Sexualidade e Erotismo nos Maiores de 40
  Maria Tereza Maldonado
   
  Trabalho de Pesquisa
1 Opinião dos Escolares Adolescentes Sobre a Realização de Grupos de Discussão
  Maria das Graças Carvalho Ferriani; Maria Aparecida Tedeschi Cano; Marta Angélica Iossi Silva; Elza Maria Lourenço Ubeda
2 Ejaculação Precoce - Proposta Baseada na Cronologia
  Otto Henrique Torres Chaves; Walkíria Fernandes Moreira Ambrosano; Marisa Brito; Elber Valadares; Guilherme Bastos
3 Alguns Aspectos da Prostituição Feminina de Ontem e de Hoje
  Manuel Fernando Queiroz dos Santos Júnior; Elucir Gir, Lázaro D’Assunção Batista de Souza; Phallcha Luiza Obregon; Sandra Irene Sprogis dos Santos; Vera Lucia Gattas
4 Disfunção Eretiva avaliação psicológica-Modelo em abordagem multidisciplinar
  Oswaldo M. Rodrigues Jr.
   
  Resumos Comentados
1 The Sexual Brain, Simon LoVay, A Bradford Book, 1993, Massachusetts Instituto of Technology
  Tradução e comentários: Mônica Bara Maia
 
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