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RBSH - Volume 6 - No. 2 - 1995 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

Segmento do Artigo: Vaginismo – Sugestão de processo terapêutico passo a passo
Jaqueline Brendler (1)
Zeila Bedin (2)


COMENTÁRIOS
DISCUSSÃO
O Vaginismo é uma Síndrome Psicofisiológica caracterizada por espasmo involuntário dos músculos que circundam a entrada da vagina e o músculo elevador do ânus. Ocorre sempre que é feita uma tentativa para se introduzir um objeto no orifício vaginal ( I , 4, 6, 8, 10).

Mútiplos fatores Psicossocioculturais (5, 10) estão li1gados à gênese do vaginismo e seu reflexo condicionado resulta da associação de dor e medo das tentativas reais ou fantasiadas de penetração vaginal (5).

Como recomendado por Masters e Johnson, o casal iniciou o aspecto experimental do tratamento com exercícios de Foco Sensório I e posteriormente foi empregado Foco Sensório II com o intuito de dissipar a ansiedade relacionada à performance sexual ( l , 2, 3, 8, 9).

Os exercícios de Kegel foram prescritos à fim de aumentar a percepção sensorial da vagina (4, 7) e ensinar a paciente a contrair e relaxar voluntamente os músculos em torno da vagina (3, 48). â

A proibição do coito diminui a fobia e a ansiedade em relação à penetração vaginal (8). Foi prescrita após a entrevista inicial.

O exame ginecológico realizado foi o primeiro passo da “Dessensibilidade Sistemática In Vivo- (8) e a visualização através do espelho do espasmo condicionado pelo vaginismo também é passo importante no início da terapia (1), Foi efetuado na 3ª sessão terapêutica.

A paciente apresentou forte elemento fóbico associado: 1. Medo da penetração causa dor; 2. Medo e antecipação de dano físico provocado pela penetração. Para afastar a fobia foi iniciado “Dessensibilização Sistemática Progressiva” após pesquisas de cenas ansiogênicas (4, 8).

Para a maioria dos autores há um consenso sobre a necessidade da “Dessensibilização Sistemática In Vivo- para a extinção da resposta vaginal condicionada no tratamento do vaginismo (3, 4, 5, 6, 8) que foi empregada no caso descrito a partir da 3ª consulta. Para prover o descondicionamento pode-se usar sondas, cateteres, tampão (4, 5), dilatadores de plástico (3) e os dedos da paciente e posteriormente os do marido (4, 5, 6, 8). Na maior parte do tratamento foram empregados os dedos por ser emocionalmente mais aceitável para a paciente e portanto ter menos probabilidade de mobilizar as resistências à terapia (6).

O marido participou do segundo exame ginecológico e das sessões de Dessensibilização In Vivo a partir da 2ª sessão, com o objetivo de extinguir a mística em torno do vaginismo e promover o descondicionamento completo da -unidade conjugal” (3, 8). Outro fato importante é que o marido presencia os avanços da terapia sexual.

Com o Progresso da terapia e a fim de preparar a paciente para a liberação coital com ela comandando a introdução peniana em posição superior (3, 4, 5) foi sugerido à paciente fantasias sob relaxamento com a posição descrita.

A movimentação dos dedos na vagina (4, 5, 6, 8) foi efetuada primeiro pole paciente e posteriormente pelo marido.

Masters e Johnson no passo que antecede a liberação coital uso um dilatador de plástico que com a mesma espessura do pênis ereto (1, 3). No caso citado, foi empregado o Amnioscópico de acrílico como último passo da Dessensibilização In Vivo, por ser o objeto disponível que mais se assemelha à espessura e o tamanho do pênis ereto. Esse fato foi decisivo no Descondicionamento In Vivo.

Após a 6ª sessão terapêutica a paciente relata sentir-se segura para ter Relação Sexual com penetração. O casal é liberado para o coito com a paciente em posição superior comandado com a ajuda da mão a introdução peniana. Foi sugerido apenas a introdução do pênis sem a sua movimentação.

(1) Ginecologista e obstetra.
(2) Psicóloga Clínica.
Recebido em 15.05.95 Aprovado em 17 .06.95

Veja o que mais você pode encontrar nesta edição

Sumário

Editorial
  Trabalhos de Atualização e Opinativos
1 Um trabalho sobre sexualidade na escola pública
2 Anticoncepção e sexualidade
3 (Ab)usos e costumes nos estudos e pesquisas sobre a sexualidade humana: uma (auto)crítica epistemológica
4 Abordagem corporal em terapia sexual
5 Afetividade e aprendizagem
6 A sexualidade da mulher portadora de deficiência física
7 Sexualidade em instituições fechadas
8 Crítica ao modelo interacionista da identidade de gênero
   
  Trabalhos de Pesquisa
1 Características da clientela residente em setores sociais periféricos que demanda assistência em planejamento familiar
2 Vaginismo - Sugestão de processo terapêutico passo a passo
3 Sexualidade masculina: misterioso silêncio
   
  Resumo Comentado
1 Behavior patterns that comprise sexual addiction as identified by mental health professionals
 
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