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| RBSH - Volume 7 - No. 2 - 1996 |
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Destaque desta edição No que diz respeito ao componente orgânico do exercício da sexualidade a norma fisiológica é que, frente a certos estímulos considerados eficientes (visão, tato, olfato ou mesmo imaginação), homens e mulheres entrem num ciclo de modificações orgânicas que se convencionou chamar “Ciclo de Resposta Sexual”. Assim, frente a esses estímulos, é “normal” que homens e mulheres se excitem, tendo ereções ou lubrificações vaginais, bem como é “normal” que antingido um certo grau de exitação sobrevenha o orgasmo. O “anormal” aqui, isto é, o não cumprimento desse ciclo, é o que se convencionou chamar de “disfunção sexual”. Quanto aos aspectos sociais do exercício da sexualidade, o normal é aquilo que foi esboçado linhas atrás, ou seja, a prática heterossexual por casais como as características descritas. O que foge à essas normas é denominado de “desvio” (como a gerontofilia e a homossexualidade, por exemplo), “parafilia” (como o sadomasoquismo) ou até mesmo de “perversão” (a necrofilia, por exemplo), embora essa nomenclatura ainda não seja bem universalizada, havendo os que denominam de “desvio” o que outros chamam de “parafilia”, e vice-versa. É no componente psicológico do exercício da sexualidade, no entanto, que em nosso ver existem mais dificuldades em se conceituar o normal. Na verdade, para saber se nossa sexualidade está sendo normalmente exercida, deve-se responder a indagação sobre se é ela satisfatória. Estou contente com minha sexualidade? Exerço-a prazerosamente? Estou satisfeito com a freqüência e com a maneira em que a exerço? Minha parceira (ou meu parceiro), por quem tenho afeto e a quem me é importante satisfazer, está feliz com esses parâmetros? A isso, a essa satisfação com o exercício da própria sexualidade, costuma-se denominar de “adequação sexual”. Quando essa adequação não existe, ou seja, quando se está insatisfeito com a prática da sexualidade, denomina-se a isso de “inadequação sexual”, que em última análise é o objeto de todas as correntes de terapia sexual, quer as de fundo orgânico, quer as de fundamentação Psicológica. Em resumo, poderíamos dizer que o “normal” em sexualidade se resume ao satisfazer-se e satisfazer sexualmente seu parceiro ou sua parceira, desde que isso não traga riscos ou danos a si mesmo, ao (ou à) parceiro e ao meio social. Dentro desse princípio, o que cada pessoa ou cada par faz restrito de suas vidas privadas só a eles próprios interessa, cabendo a nós, como indivíduos e como membros da sociedade, respeitar as naturais e enriquecedoras diferenças que fazem do ser humano algo de tão maravilhoso. *Ginecologista. Doutor em Medicina. Presidente da Sociedade Brasileira de estudos em Sexualidade Humana.
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