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| RBSH - Volume 8 - No. 1 - 1997 |
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Destaque desta edição Falar sobre a bissexualidade, como pretendo, implica em falar de três lugares, basicamente. O meu lugar de escuta analítica, o meu lugar de “Flâneur” que, segundo Benjamin. imprime suas próprias marcas nas coisas e o meu lugar de leitor, que pensa a partir dos pensadores. Querer ir mais além, seria aspirar a uma verdade arrogante, e de inicio abro mão deste (des) propósito. Falar de bissexualidade neste ensaio, significa também me questionar para compreender minha experiência clínica e assim saber o que estou ouvindo - quando os clientes em análise, que se auto-denominam “bissexuais” - enunciam nos discursos e apelos. Também não posso ter a pretensão de “dar conta” do tema, pois deverei me apoiar nos meus escassos conhecimentos e no máximo, numa dúzia de histórias, talvez um pouco mais. Mas, porque não falar? Uma dúzia já e um número significativo como para pedir a palavra. Portanto, em nome deles, eu pergunto: O que quer, afinal, um bissexual? Este individuo existe, de fato? Ou trata-se de um Homo ou de um Hetero, “confusos”? No caso de existir (e creio que aqui, a resposta seja, de algum modo, afirmativa), deverá “definir-se” por um lado ou por outro? (Sendo esta uma dúvida freqüente e um pedido comum, na análise). Nosso mundo tem andado dividido em “homos” e “heteros” (muito mais do que em homens e mulheres), no entanto, após certas publicações jornalísticas ou livros classificatórios a respeito dos quantos sexos existem (?) etc., muitos seres humanos encontram as primeiras palavras de um novo discurso que os nomeia. introduzindo-os na língua, da qual se julgavam excluídos. Por outro lado, nós, os analistas, também somos obrigados a articular significantes neologísticos a nossos discursos interpretativos, e devemos tomar a precaução de não ficarmos no lugar do legislador que impõe a norma pré-estabelecida pelo estatuto da “moral -psicanalítica”. Muito menos da moral religiosa. Eu sei que a psicanálise não é uma religião, embora possa se assemelhar. É que temos, e não poderia ser de outro modo, um jargão particular, que algumas vezes não diz nada e outras, ao dizer, denuncia a própria crença. (A crença pessoal do analista, apesar dos cuidados éticos que toma, não deixa definitivamente de ser um sujeito falante, nascido no discurso da cultura-discurso este, dominante que pré-existe a seu ser). Em certas ocasiões receio que por detrás do hermenêutico discurso das epistemologias, oculta-se um desejo perverso de “saber tudo” e assim obter poder sobre o outro ao excluí-lo da possibilidade de compreensão, devendo submeter-se. necessáriamente, ao dito pelo amo, que fala. *Projeto: Etcetera e Tal... Núcleo de estudos das relações de gênero nas minorias sexuais. Veja o que mais você pode encontrar nesta edição
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