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RBSH - Volume 8 - No. 1 - 1997 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

Segmento do Artigo: O sexo do futuro… um breve ensaio sobre a bissexualidade
Arnaldo Dominguez*

COMENTÁRIOS
“Os melhores de sua espécie, são apenas sombras”

De W. Shakepeare, em “Sonho de uma noite de verão”, por Oscar Wilde, Contos, Nova Fronteira, 1994.

Falar sobre a bissexualidade, como pretendo, implica em falar de três lugares, basicamente. O meu lugar de escuta analítica, o meu lugar de “Flâneur” que, segundo Benjamin. imprime suas próprias marcas nas coisas e o meu lugar de leitor, que pensa a partir dos pensadores.

Querer ir mais além, seria aspirar a uma verdade arrogante, e de inicio abro mão deste (des) propósito.

Falar de bissexualidade neste ensaio, significa também me questionar para compreender minha experiência clínica e assim saber o que estou ouvindo - quando os clientes em análise, que se auto-denominam “bissexuais” - enunciam nos discursos e apelos.

Também não posso ter a pretensão de “dar conta” do tema, pois deverei me apoiar nos meus escassos conhecimentos e no máximo, numa dúzia de histórias, talvez um pouco mais.

Mas, porque não falar? Uma dúzia já e um número significativo como para pedir a palavra. Portanto, em nome deles, eu pergunto: O que quer, afinal, um bissexual?

Este individuo existe, de fato? Ou trata-se de um Homo ou de um Hetero, “confusos”?

No caso de existir (e creio que aqui, a resposta seja, de algum modo, afirmativa), deverá “definir-se” por um lado ou por outro? (Sendo esta uma dúvida freqüente e um pedido comum, na análise).

Nosso mundo tem andado dividido em “homos” e “heteros” (muito mais do que em homens e mulheres), no entanto, após certas publicações jornalísticas ou livros classificatórios a respeito dos quantos sexos existem (?) etc., muitos seres humanos encontram as primeiras palavras de um novo discurso que os nomeia. introduzindo-os na língua, da qual se julgavam excluídos.

Por outro lado, nós, os analistas, também somos obrigados a articular significantes neologísticos a nossos discursos interpretativos, e devemos tomar a precaução de não ficarmos no lugar do legislador que impõe a norma pré-estabelecida pelo estatuto da “moral -psicanalítica”. Muito menos da moral religiosa.

Eu sei que a psicanálise não é uma religião, embora possa se assemelhar. É que temos, e não poderia ser de outro modo, um jargão particular, que algumas vezes não diz nada e outras, ao dizer, denuncia a própria crença. (A crença pessoal do analista, apesar dos cuidados éticos que toma, não deixa definitivamente de ser um sujeito falante, nascido no discurso da cultura-discurso este, dominante que pré-existe a seu ser). Em certas ocasiões receio que por detrás do hermenêutico discurso das epistemologias, oculta-se um desejo perverso de “saber tudo” e assim obter poder sobre o outro ao excluí-lo da possibilidade de compreensão, devendo submeter-se. necessáriamente, ao dito pelo amo, que fala.

*Projeto: Etcetera e Tal... Núcleo de estudos das relações de gênero nas minorias sexuais.
SBRASH - Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.
Recebido em 20.09.95 Aprovado em 19.10.95

Veja o que mais você pode encontrar nesta edição

Sumário

Editorial
  Trabalhos de Atualização e Opinativos
1 Homossexualidade
2 Sexualidade e maternidade: “nós” e “laços” de um fenômeno cultural
3 O sexo do futuro… um breve ensaio sobre a bissexualidade
4 A aventura amorosa do casal contemporâneo
5 Adolescente e drogas
6 Sexualidade e menopausa: crise da reprodução ou produção da crise
7 Alguns aspectos da sexualidade no judaísmo
8 Sexualidade humana: uma abordagem pedagógica
9 Sexualidade e Cidadania
10 Sexualidade humana - Caminhos e descaminhos
   
  Trabalhos de Pesquisa
1 Influências dos fatores físicos e psicológicos na sexualidade do lesado medular
2 A educação sexual realizada na família e na escola: opinião de escolares adolescente
3 Sexologia e adolescência
 
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