Sócios SBRASH


Se você já é associado da SBRASH confira seu cadastro aqui.

Se quiser corrigir as informações publicadas, clique aqui.

Se ainda não é associado, filie-se aqui.

Atualize a sua situação com a SBRASH. Corrija erros e informações incompletas.

 

RBSH - Volume 9 - No. 1 - 1998 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

Segmento do Artigo: O casamento como um ritual de passagem: compreendendo o cotidiano
Maria do Socorro Loureiro Cavalcanti *
Maria Cicera dos Santos de Albuquerque **

COMENTÁRIOS
Neste trabalho apresentamos o casamento, enquanto um elemento cultural, que traz em sua complexidade uma riqueza de comportamentos sociais. A busca de respaldo bibliográfico, para compreender um casamento como um ritual de passagem, levou-nos a outras áreas de estudos, como a Sexualidade, a Sociologia, a História e a Filosofia, de forma a poder analisar os aspectos dos diversos rituais, compreendendo-os enquanto inseridos num contexto sócio-histórico. Utilizamos a adaptação do esquema de ritual de transição, segundo VAN GENNEP (1978), para apresentar o casamento de nossa informante, como um ritual de passagem. Conhecer a respeito do casamento e seus rituais, em culturas diferentes, enquanto pos- suidoras de múltiplas faces de vislumbrar o mundo, ampliam a possibilidade de entendimento da sexualidade. A experiência que nos foi relatada por uma mulher da zona rural remeteu-nos à reflexão dos valores simbólicos impostos, reproduzidos nos projetos de vida e de uma sexualidade esbarrada em regras sociais rígidas e restritivas, garantidas por normas, valores, crenças, mitos e símbolos, de elevado valor social discriminatório e repressivo.

Pretendemos neste estudo apresentar o casamento, adotando principalmente conceitos da Antropologia para a compreensão desse evento do cotidiano, que traz em sua complexidade cultural uma riqueza de elementos dos comportamentos sociais.

Consideramos importante, para a compreensão dessa temática, descrever a respeito dos termos Antropologia e cotidiano. No tocante ao primeiro, seu sentido etimológico aponta para anthropos, como uma palavra grega que significa homem, e logia, significando estudo; enquanto sua aplicabilidade tem sido indicada pelos estudiosos da Antropologia, como sendo o estudo do conhecimento do homem, respeitando sua visão de mundo, sua cultura. AAntropologia tem por objetivo estudar o homem como um todo, inserido no seu hábitat natural.

O segundo termo, cotidiano, é apontado por FERREIRA (1986) como originário do latim quotidianu, e significando “de todos os dias”, relativo àquilo que se faz ou sucede todos os dias. Portanto, cotidiano está aqui empregado para indicar eventos que se sucedem ou se praticam habitualmente.

Justificamos a escolha desse evento, um casamento, pelo fato de ser, por um lado, um evento do cotidiano, que transpassa vários tipos de sociedades, e por abarcar vários componentes e estruturas da cultura, relacionados aos estudos antropológicos, como os de crenças, valores, normas e símbolos.

* Professora do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública e Psiquiatria da Universidade Federal da Paraíba. Discente do Programa de Doutorado da Área de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP.
** Professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas - Discente do Programa de Doutorado da Área de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP.
Recebido em 22.10.97 Aprovado em 05.11.97


Veja o que mais você pode encontrar nesta edição


Sumário

Editorial
  Trabalhos Opinativos e de Revisão
1 Afinal, o que é terapia sexual?
2 Os efeitos da idade sobre a sexualidade
3 Pai adolescente: quem é ele?
4 Sexo e poder: uma reflexão histórica
5 Sexualidade feminina: ontem, hoje e amanhã
6 Por uma clínica dos transtornos da conduta sexual em harmonia com a realidade sociocultural dos pacientes
7 “Menina não entra, menina não pode” - O lúdico e a construção da identidade
   
  Trabalhos de Pesquisa
1 Zoofilia e raiva. Estudo de um caso de infecção pelo rabido vírus, adquirido através de comportamento parafílico
2 Perfil da sexualidade da adolescente
3 O casamento como um ritual de passagem: compreendendo o cotidiano
 
< Anterior   Próximo >