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Sexus - Volume 2 - No. 1 - 1990 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

IMPOTÊNCIA SEXUAL MASCULINA DE ORIGEM VENOSA - Diagnóstico e tratamento
PAULO MARCIO CANONGIA*
RONALDO RIBEIRO SANTOS**
LUIZ CARLOS D. MIRANDA***


COMENTÁRIOS
Conforme mencionamos no primeiro número desta revista, para que a ereção ocorra, do ponto de vista vascular, é necesário que as artérias penianas se dilatem e ofereçam uma quantidade muito maior de sangue aos corpos cavernosos, e simultaneamente as veias se "fechem", retendo o sangue em seu interior, mantendo assim a qualidade e a duração da ereção.
A regulação do retomo venoso no pênis é diferente nos estados de flacidez e ereção. Por este motivo, a avaliação funcional do retomo venoso deve ser feita em vigência de ereção artificialmente induzida.

A indução artificial da ereção por bomba de infusão de soro é o principal teste diagnóstico. Consiste na punção dos corpos cavernosos, sob anestesia local; e injeção de soro fisiológico com velocidade controlada pela bomba e monitoramento da pressão intracavernosa de forma semelhante à fisiológica. Em vez da artéria estar oferecendo sangue para a ereção, é a bomba que está injetando soro.
Podemos assim detectar qual o débito (ml/min) necessário para obtenção da ereção, e, uma vez obtida, qual o menor débito necessário para mantê-Ia. Esta é a cavernosometria por bomba.
Nos pacientes em que este débito é elevado, fica caracterizada a fuga venosa. Para que se determine por qual sistema venoso está se dando esta fuga, infunde-se contraste radiológico na mesma velocidade necessária para manter a ereção e submete-se o paciente a uma série radiográfica, em diferentes incidências. Esta é a cavernosografia funcional.
Outro exame de valor para a definição da anatomia venosa, que com freqüência apresenta grandes variações, é a esponjosografia, onde, após a punção da glande, a injeção de contraste radiológico permite ocupar seletivamente o corpo esponjoso e a veia dorsal profunda, esta mais freqüentemente acometida.
A cavernosometria confirma o diagnóstico. A cavernosografia funcional e a esponjosografia localizam a lesão.
Como exame menos utilizado, citamos o clearance do Tc-ftato, que consiste na injeção intracavernosa de substância radioativa, com a medida em gama-câmara da velocidade de saída da mesma.
Confirmado o diagnóstico e localizada a fuga venosa, consideramos que seu tratamento seja cirúrgico, objetivando ligar ("fechar") as veias insuficientes. É cirurgia simples, feita sob anestesia peridural, necessitando apenas um dia de internação, com pós-operatório bem tolerado, onde raramente é necessário o uso de analgésico.
A primeira cirurgia de ligadura venosa foi realizada por Wooten e publicada em 1903. Novos conhecimentos sobre a fisiologia da ereção permitiram uma evolução técnica. Lowsley (1936), Nahoum & Ravizzini (1976), Virag (1981) e Puech-Leão (1986) podem ser citados como organizadores destas mudanças. Vários outros autores, onde nos incluímos, contibuíram com variações táticas.
Em uma série de 12 pacientes consecutivos, isentos de outras patologias orgânicas, por nós operados, realizamos ao término da cirurgia nova cavernosometria. Comparando os débitos pré e pós-operatórios, alcançamos expectativa teórica de cura em sete (58%) casos, melhora em um (8,3%) caso e melhora discreta em três (25%) casos.
Apesar destes resultados objetivos e animadores, alguns destes pacientes que foram curados ou significativamente melhorados laboratorialmente permaneceram com a mesma sintomatologia. Nestes, consideramos que conseguimos a cura ou melhoria da patologia orgânica, restando a patologia psíquica a ser tratada em complementação à cirurgia.

Trabalho realizado no Centro Integrado de Diagnóstico - RJ
*Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular. Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Andaraí
Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Coordenador da Residência Médica do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia - RJ
*Mestre em Cirurgia Geral pela UFRJ Serviço de Urologia da UFRJ

Veja o que mais você pode encontrar nesta edição

Sumario

EDITORIAL
TODA NUDEZ DEVE SER CASTIGADA? ACS
 
ARTIGOS
IMPOTÊNCIA SEXUAL MASCULINA DE ORIGEM VENOSA ­ Diagnóstico e tratamento
  Paulo Mareio Canongia - Ronaldo Ribeiro Santos - Luiz Carlos D. Miranda
TERAPIA SEXUAL Y CAMBIO DE ACTITUDES
  Arnaldo Gomensoro
FATORES IDÊNTICOS NA EXPULSÃO FETAL, NAS CONTRAÇÕES ORGÁSTRICAS. E NA EJACULAÇÃO ESPERMÁTICA
  Moysés Paciornik
ATITUDE DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE DIANTE DA REGIÃO GLÚTEA E DO ÂNUS
  Marlene Pinho de Oliveira
   
PADARIA ESPIRITUAL
CAUSA OU EFEITO
 
PC
AUTO-INJEÇÃO COMO TERAPIA DA IMPOTÊNCIA PSICOGÊNICA
 
ACS
PESQUISAR É PRECISO
 
ACS
SEXUS COMO APOIO INSTITUCIONAL
  ACS
SEXOLOGIA NA MEDICINA DA UFRJ
  ACS
   
SEX-ARTE
   
NOTICIÁRIO
   
NOSSA CAPA
  Aquarela do Século XVIII, do pintor sueco Niclas Lafersen.
 
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