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Sexus - Volume 2 - No. 4 - 1990 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

A Rendição

COMENTÁRIOS
Amar dentro do prito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:

Fazê-la vir abaixo e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com o prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.

Falecido em dezembro de 1805, depois de uma vida de paixões e irreverências, deixou um epitáfio bem ao seu estilo:

Mas quando ferrugente a enxada Idosa
Sepulcro me cavar em êrmo outeiro
Lavre-me este epitáfio mão piedosa
Aqui jaz Bocage o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa; Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.

No fim da vida, arrependido, renegou seus versos de moço e escreveu:

Outro Aretino fui... A Santidade
Manchei! Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade.

Manuel Maria
Barbosa du Bocage
(1765 - 1805)

Nacido em Setúbal, Portugal, em setembro de 1765, Bocage foi um notável poeta, dono de um espírito crítico e indomável. Consagrado em 1791 com a edição de ''Rimas'' foi considerado um dos maiores autores da língua portuguesa.
Dentre as peripécias de uma vida atribulada Bocage foi desertor do Exercito e mendigou na China, mas também teve honras oficiais nomeado Censor na Real Biblioteca, não quis ocupar o cargo e perdeu o emprego.
Bocage esteve no Brasil em 1786, frequentando os banquetes e festas do Rio de Janeiro, que descreveu como uma cidade de "maus poetas e belas mulheres".

A Sacana

Num capote embrulhado, ao pé de Annia,
Que tinha perto a mãe o chá fazendo,
Na linda mão lhe foi (oh céus) metendo
O meu caralho que de amor fervia:

Entre o susto, entre o pejo a moça ardia;
E eu solapado os beijos remordendo,
Pela fisga da saia a mão crescendo
A chamada sacana lhe fazia:

Entra a vir-se a menina... Ah! Que vergonha!
'Que tens? - lhe diz a mãe sobressaltada:
Não pode ela encobrir na mão langonha:

Sufocada ficou a mãe corada;
Finda a partida, e mais do que medonha,
A noite começou da bofetada.

Veja o que mais você pode encontrar nesta edição

Sumario

EDITORIAL
TERRORISMO EM CAUSA PRÓPRIA
 
Araguari Chalar Silva
 
ARTIGOS
CRISE E AJUSTAMENTO NA RELAÇÃO DO CASAL
  Juan Carlos Kusnetzoff
AVALIAÇÃO CRÍTICA DA INDICAÇÃO DE PRÓTESE PENIANA
  Isabel Cristina Carpi Girão
SINTOMAS SEXUAIS FEMININOS NA DEPRESSÃO MENTAL
  Isaac Charam
   
DE SEXU DOCUMENTA
ALEXANDRE VI E LUCRETIA BORGIA
   
SEX-ARTE
 
Manuel Maria Barbosa du Bocage
   
PADARIA ESPIRITUAL
   
NOTÍCIAS
   
NOSSA CAPA
O Ladrão e a Florista
Gravura Francesa do século XVIII (autor desconhecido)
 
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