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Sexus - Volume 2 - Nos. 5 e 6 - 1990 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

Variação Cultural na Sexualidade Humana
-Trabalho Apresentado no 11 Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana - Florianópolis, S.C., 1990

COMENTÁRIOS
Desde os primeiros momentos em que o ser humano chegou a conhecer pessoas de outras culturas, havia um grande interesse nos seus diferentes hábitos sexuais. Já no século V, Heródoto, o historiador grego, comparava os costumes sexuais gregos com os costumes persos. No século XIV Marco Polo descrevia a defloração de virgens no Tibet, e no século XVI o árabe, Nafzaawü escreveu o Jardim Perfumado sobre costumes sexuais nas terras árabes e indianas (Gregersen 1983). Com a descoberta das Américas pelos Europeus, o interesse na variação cultural aumentou, e exploradores, missionários, comerciantes e outros destacavam os hábitos sexuais dos indígenas dos Novos Mundos. Alguns dos relatos dos precursores da antropologia são extremamente detalhados e refletidos.

Talvez o viajante mais conhecido neste sentido seja Sir Richard Burton, que no século passado traduziu o texto Mil e uma noites do árabe para ingles, e forneceu descrições vívidas dos hábitos sexuais de povos tão dispersos como os persas, indianos, chineses e índios das américas. As capacidades linguísticas deste explorador, junto com a sua participação pessoal em muitas das atividades que descrevia chocavam a sua viúva a tal ponto que ela queimou muitos dos seus documentos, mas as descrições que ficavam ainda rivalizavam as dos antropólogos atuais (Gregersen 1983; Burton, 1967) .
Quando os primeiros antropólogos profissionais do século passado começaram a estudar mais a fundo a variabilidade cultural, este forte interesse na sexualidade continuou. Por exemplo, uma parte essencial da teoria evolucionista de Morgan (1877) e de Engels (1884) tratava da evolução de formas diversas de organização da sexualidade. Morgan achava que, iniciando-se com uma "horda promíscua" o ser humano passou depois a inventar tabús relativos ao incesto, poliginia, e finalmente monogamiSa. Os primeiros estudos de campo na antropologia também destacaram questões sexuais. Malinowski fez grande sucesso com o seu livro, A vida Sexual dos Selvagens, que destacava a liberdade sexual dos jovens Trobriandeses, e Mead se tornou famosa com os seus livros Adolescência na Samoa, e Sexo e Temperamento sobre a vida sexual liberal e os papéis sexuais flexíveis numa ilha da Polinésia e na Nova Guiné.
Estas primeiras pesquisas foram muito reveladoras quanto a diversidade sexual humana. Para quem acreditava que o sexo era igual em todos os lugares, as pesquisas abriram os olhos. Ainda vale a pena ressaltar esta grande diversidade. Aqui citarei apenas dois exemplos de "extremos" sexuais para ilustrar esta variabilidade. O primeiro caso é a Irlanda rural dos anos 50. Em muitos aspectos, os irlandeses eram uma das culturas mais puritanas do mundo.

Dennis Werner

Ph.D. em Antropologia; Professor do Depto. de Ciências Sociais e do Programa de Mestrado em Antropologia Social, UFSC, Florianópolis; Presidente do Human Relations Area Files da Universidade de Yale; Professor Visitante da Pennsylvania State University.

Veja o que mais você pode encontrar nesta edição

Sumario

EDITORIAL
SEXUS: UMA HISTÓRIA DE CRISES
 
Araguari Chalar Silva
 
ARTIGOS
PRA(Z)SER COMPARTILHADO
  Amparo Caridade
STRESS E SEXUALIDADE
  Antonio C. Bonaccorsi de S. Leite
ESTÁGIO SUPERVISIONADO PARA ATENDIMENTO PSICOLÓGICO PREVIDENCIÁRIO DE DISFUNÇÕES SEXUAIS
  O. M. Rodrigues Jr.; A. A. Monesi; J. M. dos Reis: E. Lopes
VARIAÇÃO CULTURAL NA SEXUALIDADE HUMANA
  Dennis Wemer
AIDS: PÂNICO OU ESCLARECIMENTO
  Emir Calluf
   
DE SEXU DOCUMENTA
A RAINHA VICTORIA: UM EXEMPLO DE VIRTUDE E MORALISMO
   
PADARIA ESPIRITUAL
   
SEX-ARTE
   
NOTÍCIAS
   
NOSSA CAPA
Tres Amigas
Gravura Francesa do Seculo XIX - Autor desconhecido
 
 
 
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