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Sexus - Volume 3 - No. 2 - 1991 PDF Imprimir E-mail

Destaque desta edição

Tesões Recíprocas entre Médicos e Clientes
Texto recolhido durante o I Encontro Marginal de Ginecologia e Obstetrícia - Rio -1987 Capiti - Matzenbacher; Factotum - Canella; Agito; Nahoum

COMENTÁRIOS
- Conceituação Vitiello
Situação bastante comum (mais frequente do que gostamos de admitir), o tesão na relação médico-paciente tem variadas causas.
Por parte da paciente, aquele sujeito jeitoso (às vezes até atraente e frequentemente vestido de branco) que tem permissão social para invadir seu corpo e sua mente, com manobras e perguntas que seriam absolutamente ofensivas em outras situações quaisquer, é uma pessoa totalmente confiável, a quem a paciente se entrega. Ele é uma criatura superior, que a compreende e a ajuda na mais difíceis situações. Ele é dono, sem dúvida, de profundo conhecimento da alma humana e tem um "status" cultural e social que aquele marido (ou similar) chato, que ronca de noite, que tem mau hálito de manhã e que implica com tudo, não tem.

O médico é simpático, limpinho, cheirosinho, enfim, um ser humano que se torna facilmente desejável. Ele deve conhecer técnicas incríveis, além do que é "chique" transar ou tentar casar com um médico. Do desejo à insinuação de oferta é um passo.
Para o médico, é difícil desvincular a confiança, a ternura, o amor e o tesão que a paciente sente por ele enquanto médico, daquele sentimento que idealmente ela lhe dedicaria se exercesse outra profissão. Além disso a paciente é frequentemente sedutora e às vezes até "gostosa". Afinal, fomos todos "educados" sabendo que o homem que perde a chance de comer alguém não é tão macho assim. Passa-se então do tesão às vias de fato.

Diálogo Imaginário

Silvia

Na consulta deverá existir uma entrega. Dependendo do seu conceito de saúde e enfermidade vai se estabelecer uma determinada troca e se esta relação for suficientemente forte resultará um crescimento de ambos. Aí o tesão é fundamental, tudo flui pelas vias da emoção, o afeto viabiliza as coisas que se tornam possíveis de dizer e ouvir.

Ismeri

Quais os inconvenientes de transar com a paciente?
Para que controlar o tesão: Quais os parâmetros para haver controle?
Porque a relação sexual destrói a relação médico-paciente?

Canella

A idealização do ginecologista seja no plano sexual ou do desempenho técnico resulta na aceitação pela cliente uma situação de submissão. A relação vertical é a ante sala da indução da onipotência no médico. Se ele a aceita fará promessas falsas e poderá sexualizar a relação com a cliente.
"É frequente que a mulher se obrigue a dizer "não" mesmo quando quer dizer "sim" da mesma maneira que o homem se obriga a dizer "sim" mesmo quando quer dizer "não" (Maldonado - Canella). Relação Médico - Cliente em Ginecologia e Obstetrícia, Roca - São Paulo, 1988.

Ismeri

O médico realiza o toque e a paciente oferece a oportunidade do médico tocar.
Sempre há uma relação afetiva entre médico e cliente. Cada um estabelece o limite do jogo dos sentimentos.
Porque é necessário controlar o tesão?

NallOum (agito)

A importância do tema fica bem ilustrada por ser o assunto (e a palavra tesão) os que provocaram mais reação quando o programa foi divulgado em cartas, cartazes e em Femina. Presente, Baliu também protesta contra esta palavra. O título "O médico e a cliente" foi logo ampliado por participantes do sexo feminino: não lidando com clientes masculinos elas, entretanto, podem ter tesão pelo marido da cliente. E ocorre, inevitavelmente, do mesmo modo que o relacionamento-título.

Veja o que mais você pode encontrar nesta edição

Sumario

ARTIGOS
TESÕES RECÍPROCAS ENTRE MÉDICOS E CLIENTES
  Paulo Canella (Editor)
LA FORMACIÓN DE PROFESIONALES DE EDUCACIÓN EN SEXUALIDAD HUMANA: UNA URGENTE NECESSIDAD
  José Luis Garcia
O IMPACTO SEXUAL DA SIDA/ AIDS
  Marcio Ruiz Schiavo
   
SEX-ARTE
DESENHO DA FASE ERÓTICA
  Pablo Picasso
   
DE SEXU DOCUMENTA
INSTRUÇÃO E CONSELHO PARA A JOVEM NOIVA
  Ruth Smythers
   
PENSANDO & REPENSANDO
   
CURSOS & CONGRESSOS
   
NOSSA CAPA
 
"Provisões Para o Convento", de Jacques
 
 
 
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