Sexualidade feminina - a linguagem do corpo

Título: Sexualidade feminina - a linguagem do corpo
Autor(es): M. d. A. R. Caridade
Ano: 1994
Periódico: Revista Brasileira de Sexualidade Humana
Volume: 5
Número: 2
Páginas: 142-146
Tipo de Artigo: Opinião
ISSN: 0103-6122
Língua: Portuguese

Resumo: “Não se nasce mulher, torna-se mulher,” anuncia Simone de Beauvoir ao observá-la na história. Diria que, também não se nasce com o corpo erógeno pronto, mas em potencial. Ele se estrutura no contexto interativo de atitudes e linguagem que cercam o indivíduo, e que vão sendo internalizadas no curso de cada história É arqueológica essa construção. Podemos pensar portanto, num “corpo processo”, que se constrói e se revela continuamente em seu erotismo, em suas linguagens. Não há corpo de história finda, mas corpo que se faz. Como se plasma em nossas histórias esse corpo erógeno, sua linguagem e sua expressão adulta? E fora de dúvida que, desde os primórdios do existir humano, somos abertos e sensíveis ao que nos cerca. A ruptura da simbiose uterina e a liberação do grito primal, foram aventuras necessárias, condições imprescindíveis a partir das quais nos ligamos ao meio externo. A partir de então, os canais sensoriais vão registrando, inscrevendo em nossa psique, as pegadas da vida, os gestos, dores e emoções do cotidiano de cada um. Palavras, atitudes, expressões, sensações, emoções, tudo vai sendo captado, armazenado, introjetado pelo bebê, que, como uma esponja, absorve tudo o que lhe toca a superfície. A sexualidade humana se plasma em meio a estas inscrições que o corpo vai armazenando fielmente, como produto da diversidade de gestos postos ao existir humano. As inscrições grudam ao corpo, de modo inconsciente, mas em cada célula, em cada modus vivendi. Deixamos de ser mera possibilidade, e resultamos numa história mnêmica singular. (resumo indisponível, trecho do artigo).

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